R.P.G
EM ATLETAS DE ALTO RENDIMENTO
Fisioterapeuta:
Dr Antonio Chaer Filho Niterói - RJ
1-
Caso Clínico:
•
Paciente: SS, 30 anos, atleta profissional de Triathlon
há 9 anos, intensificando seus treinamentos
neste esporte nos últimos 5 anos, tendo como
origem esportiva à natação onde
competia o estilo livre em provas de fundo, e nado
de peito.
Obs: foi citada sua origem esportiva na natação
pois tem grande importância nas alterações
morfológicas hoje presentes na atleta, como
disposição de MMII e principalmente
da pelve.
•
Início do problema: após acidente de
bicicleta durante treino, sofreu fratura de bordo
inferior da escápula esquerda, permanecendo
imobilizada por longo período; na época
foi tratada com fisioterapia tradicional.
•
Quadro Clínico: Início do quadro durante
seus treinamentos para os Jogos Olímpicos de
Sidney 2000, com dores ao redor do bordo da escápula
esquerda com limitação de movimento
para extensão e “desenrolar” do
ombro no final da braçada na natação,
prejudicando seus treinamentos, e posteriormente evoluindo
para dores em região lombar e quadril do mesmo
lado também nos treinos de ciclismo e corrida.
2
– Avaliação:
Paciente
com característica mista, onde podemos observar
as seguintes alterações:
•
Anterior: com cabeça inclinada a direita; ombro
deprimido a esquerda; desvio de tronco à esquerda;
rotação interna dos braços (C.
Antero-interna braços); desnível de
quadril com elevação à direita;
• Lateral: cabeça anteriorizada com olhar
inferior (C. Anterior); ombros enrolados anteriormente
(C. Antero-interna dos ombros); anteversão
de pelve com hiperlordose lombar (C. M. Anterior e
Posterior); recurvato de joelhos (C. Posterior);
• Posterior: escoliose dorso-lombar à
esquerda; abdução das escápulas,
principalmente esquerda (sugerindo ação
da cadeia Antero-interna do ombro, quando associamos
ao enrolamento anterior dos ombros);
• Roda de bicicleta: Três platôs,
na lombar, na dorsal e na cervico-dorsal (C. Posterior).
• Abertura dos braços: observamos na
abdução uma abertura do ângulo
inferior da escápula antes de 90 º e principalmente
ao final da abertura dos braços, uma grande
diferença entre os MMSS com inclinação
do tronco para a direita, visando compensar, de forma
incompetente, as alterações anteriormente
observadas.
3 – Tratamento:
O
trabalho de R.P.G com esta paciente, teve início
em Janeiro de 2002, após observação,
a pedido de seu técnico, durante uma competição
das alterações na mecânica da
corrida que a atleta estava apresentando, inicialmente
utilizamos 1 sessão por semana em seu período
de férias, e com o planejamento das competições,
chegamos a fazer semanalmente de 3 até 4 sessões,
de acordo com o calendário e seus objetivos
nas competições.
4
– Posturas:
Desde
a primeira sessão, preconizamos 2 principais
posturas, a rã no chão de braços
abertos e a bailarina, a qual, quando a atleta apresentava-se
muito cansada dos treinamentos estando assintomática,
algumas raras vezes, fazia uso da rã no ar
de braços fechados.
Porém para esta apresentação
realizamos apenas 2 sessões no período
de 2 semanas, após longo período de
2 meses de competições da atleta na
Europa, de onde voltou como nas fotos abaixo e sintomática,
em menor intensidade, porém com queixas de
dores na escápula e no quadril. As posturas
utilizadas nessas duas sessões foram:
Obs:
O objetivo principal das posturas anteriormente citadas,
vem da origem do conceito de nosso trabalho com a
R.P.G, onde busquei um equilíbrio de forças
anterior e posterior, alongando a anterior, e principalmente
estabilizando a musculatura posterior quando falamos
da origem dos problema na escápula, que após
a imobilização prolongada no passado
e a necessidade de esforço estável contínuo
do presente surgiu com a patologia e descompensações
anteriormente citadas com origem escapular e repercussões
em todo o sistema mecânico postural.
5
– Colocações:
Associado
ao trabalho da R.P.G, vem sendo realizada, periodicamente
correção em suas técnicas de
natação e corrida e principalmente ajustes
em suas bicicletas de acordo com o período
do treinamento e tipo de competição,
tornando menos “destrutivos” seus gestos
repetidos diariamente em seus treinamentos.
6
- Resultados:
Após
2 sessões realizadas nos dias 21 e 28 de Maio
de 2004, após interrupção do
trabalho por 2 meses de competição na
Europa, deixa claro o resultado morfológico
obtido, com um melhor alinhamento global da atleta,
e redução marcante de seus sintomas,
facilitando seus treinamentos e conseqüentemente
contribuindo com seus resultados.
Necessitamos de dar continuidade ao trabalho até
o mês de Agosto, quando pretendo obter um resultado
mais eficaz, deixando-a totalmente assintomática
para competir nos jogos Olímpicos de Atenas.
7- Comentários:
O
trabalho com atletas, deve ser encarado de forma diferente
mesmo por nós profissionais da R.P.G, pois
no esporte de alto rendimento, principalmente, os
competidores estão sempre levando seus corpos
no limite, e nosso papel como fisioterapeutas com
a R.P.G, é ajuda-los com seus magníficos
corpos a superar sempre estes limites; e para isso
é fundamental que possamos sentir e entender
o que cada um desses atletas vive em seus treinos
e competições para que possamos melhor
atende-los, facilitando assim nosso próprio
trabalho de cuidados com esses atleta.